
A "JUSTIÇA" FUNCIONA, VALE A PENA SONHAR!
Confesso que...Se eu fosse contar-lhes tudo o que passei nos últimos anos,Pela a falta de sensibilidade de uma instituição de ensinoSuperior, que se diz:"Não somos um negócio, somos uma universidade”.Não caberia nesse espaço...Ingressei na Instituição em 2001, depois de ter participado de um processo seletivo.Bastou uma redação e a nota do ENEM, para que eu ficasse entre os classificados. Não participei do vestibular, pois a inscrição que na época,Custava Cinqüenta Reais, acreditem, era bastante dinheiroPara a minha condição de desempregado. Para mim (e creio que para a grande maioria dos jovens carentes deste país) ingressar em uma universidade era quase impossível...Era coisa de gente rica! Mas... Puxa vida!Eu tinha passado em um processo seletivo, e ia entrar na Universidade! A primeira mensalidade, paguei com a ajuda de um“Grande amigo” (amigo esse que jamais vou esquecer).Os meses se passaram... A aplicação nos estudos era tão grande, que eu passava noitesEm claro, dedicando – me a livros e apostilas. Não consegui efetuar o pagamento das mensalidadesSeguintes e a divida foi crescendo... Pensei até em trancar a matricula ou desistir do curso. Mas eu contava com grandes aliados... Boas notas, presença constante nas aulas, força de vontade,Esperança e sonhos, muitos sonhos!Motivado por uma colega, comecei a vender chocolates nas salas De aula e nas ruas de São Paulo.As vendas me garantiam pelo menos o dinheiro da conduçãoPara ir e vir (casa e faculdade). Um dia, cheio de coragem, resolvi (ingenuamente)Procurar o "magnífico” Senhor Reitor.Com a esperança de que ele ao saber da minha história,Ficaria sensibilizado, e no ato me daria uma bolsa de estudos... Elaborei uma carta contando sobre o empenho nas aulas,O amor pelo estudo, enfim... Fui ignorado.Como resposta, orientaram me a procurar o Departamento Financeiro,Lá recebi a noticia de que não ia poder renovar a matriculaSem antes negociar e pagar o que devia. Mesmo comprovando a difícil situação, não houve acordo,Meu nome foi protestado e a rematricula negada. Um belo dia, organizaram na sala de aula uma caravana para O Programa do Faustão Na TV Globo em SP. Uma colega de classe, sensibilizada comigo, teve uma "brilhante" idéia: Fizemos uma faixa pedindo ajuda ao apresentador.Queria chamar a atenção da universidadepara a minha verdadeira intenção (estudar) Precisava de uma bolsa de estudos, só isso!Consegui entrar com a faixa nos estúdios da TV Globo em SP,A produção do programa me autorizou a mostra - lá da platéia. Mas o inesperado aconteceu...Minutos antes de o programa começar, fui desautorizado. Voltei para casa frustrado e triste.Mesmo assim não desisti, fiz uma nova faixa!Desta vez para Ana Maria Braga, pedindo novamente uma bolsa de estudos.Mesmo fazendo plantão em frente à emissora em SP com a esperança De ser atendido, ninguém me recebeu.Passado alguns meses, criei outra faixa,Desta vez para a Luciana Gimenez,Do programa Super Pop da Rede TV.Um dos produtores mandou que eu enviasse um fax contandoA história, fiz o que ele me pediu.Em menos de quinze dias recebi um telefonema, era da Rede TV! Estavam me convidando para ir ao programa. No palco participei de um debate sobre vestibular.Aproveitei o momento, contei minha história (ao vivo)Para todo o Brasil...E pedi uma bolsa de estudos a universidade. Estendi o pedido aos telespectadores, alguém que pudesse...Financiar os meus estudos! Mesmo assim, não obtive a tão sonhada bolsa.Mas continuei freqüentando as aulas durante um ano(como ouvinte).Após pressões dos e colegas de classe, indignados...Com a postura da universidade, meu caso chegou a Reitoria. Concederam-me um estágio no Departamento de Comunicação e Marketing (sem remuneração)mas com cinqüenta por cento de bolsa.promessa cumprida pela diretora do departamento.A outra porcentagem, seria dada pelo Senhor Diretor Financeiro (o que nunca aconteceu). Negociei a divida, utilizando algumas economias da vendaDos chocolates e contei também com a ajuda de amigos.Paguei algumas parcelas atrasadas e fui matriculadoNo segundo ano do curso.Ao final do segundo ano, encontrei mais pedras no caminho para a rematricula, não pude quitar as altas parcelas do acordo. Sem que eu soubesse de nada, um amigo de classe (Alexandre Gamón)...Apareceu na faculdade com duas lindas cestas de páscoa, feitas pela avó dele. As cestas foram sorteadas entre os colegas, todos contribuíram comprando bilhetes. Uma boa quantia em dinheiro foi arrecadada,Recebi a grana como doação e paguei para renovar a matricula.È claro que os problemas seguiram, realmente...Não pude quitar em dia as altas mensalidades do curso. Vendia meus doces na esperança de juntar mais dinheiro, osAmigos sensibilizados me davam incentivo para seguir em frente.Até material de apoio para ajudar nos estudos como livrosE apostilas, eu recebia.Impressionados com a minha persistência e força de vontade,Eles não me deixavam baixar a cabeça. Na ocasião, passei num processo seletivo de estágio (remunerado)...No Departamento de Jornalismo de uma grande emissoraDe Rádio e Televisão. Após um ano, o contrato venceu, a empresa quis renová-lo,mas dependia das assinaturas do Coordenador de Estágio da Universidade. E na hora de efetuar a rematricula para o quarto e ultimo ano do curso,Novamente fui barrado pelo "Financeiro". Ou pagava o que eles queriam, ou não me concederiam a matricula,Bem como as assinaturas do contrato.Encaminhei uma nova carta ao Senhor Reitor, desta vez pedindo“Clemência”. Mas fui tratado com indiferença pela autoridade do campus.Com a negativa dos vários pedidos de ajuda para facilitar o parcelamento da divida, não tive outra solução: Resolvi entrar na Justiça com a esperança de ver garantido,O meu direito à educação.Mas como não tinha dinheiro para pagar um advogado, sai em busca de ajuda... E fui amparado pelos Doutores Raul Castro e Carolina Facca(aos quais serei eternamente grato).Ingressamos com um processo na JUSTIÇA FEDERAL,Provando que eu não estava me recusando a pagar. Simplesmente por causa da minha comprovada falta de condição financeira, a universidade não aceitou fazer um acordo dentro das minhas possibilidades. E por isso, me negou o direito ao estudo, direito esse garantido pela Constituição Federal. O caso foi analisado em menos de vinte dias. "GANHEI UMA LIMINAR".Em 19 de Maio de 2005, a decisão foi publicada no Diário Oficial.A Juíza Titular da Décima Sexta Vara Federal de SP, Dra. Tânia Regina Marangoni Zahuy, decidiu o seguinte:"DEFIRO a liminar para determinar á autoridadeCoatora que proceda á rematricula do impetranteBASILIO MAGNO PEREIRA DA SILVA para que possa Cursar o quarto ano do curso de Jornalismo da Universidade São Judas, garantindo – lhe todos os atos escolares Sem qualquer constrangimento até o julgamento final deste processo".TÂNIA REGINA MARANGONI ZAHUYJuíza Federal.Poucos meses depois, a instituição conseguiu um efeito suspensivo, ou seja, Tentou cassar a decisão da Juíza que fez valer o meu direito.Imediatamente o Dr. Raul Castro (meu advogado), recorreu. E no inicio de agosto de 2005,o processo foi a julgamento.E como não poderia deixar de ser a MMª Juíza Federal,Dra Tânia Regina Marangoni Zahuy, com o aval inclusive Do Ministério Público Federal, Manteve sua decisão.Publicada assim no Diário Oficial de 18/08/2005:JUSTIÇA FEDERAL FORO CÌVEL16ª VARA CÍVELBASILIO MAGNO PEREIRA DA SILVA X AMC SERVIÇOSEDUCACIONAIS – UNIVERSIDADE SÂO JUDAS“Isto posto, CONCEDO a Segurança para assegurar ao impetrante”,BASILIO MAGNO PEREIRA DA SILVA a renovação de matrículaPara o quarto ano do Curso de Jornalismo na UNIVERSIDADESÃO JUDAS, Com a pratica de todos os atos escolares.Notifique-se ao Exmo. Desembargador RelatorDo Agravo de Instrumento noticiado nestesAutos, o teor desta decisão. P.R.I. Oficie – se”.Ou seja, a Universidade foi obrigada pela JUSTIÇA FEDERAL...A me conceder a matricula, o direito de realizar provas,Nome na lista de presença, e certificado ao final do curso.TIVE TODOS OS MOTIVOS PARA DESISTIR, mas não recuei! Para mim, é questão de honra, terminar a faculdade, me formar Jornalista e honestamente pagar o que devo a Universidade.E através da minha profissão, quero lutar sem medo, contra a injustiça, a arrogância, a desigualdade social e a falta de sensibilidade daqueles que acham que podem tudo, até mesmo humilhar, desrespeitar e destruir sonhos.Basílio Magno Pereira da SilvaAluno do Curso de Jornalismo da Universidade São Judas TadeuSão Paulo – SP. E-mail: basilio_magno@yahoo.com.br